A arte vazia

Postado em 03 de outubro de 2013

 

 

“…Matar os polícia é a nossa meta, fala pra “nóis” quem é o poder, mente criminosa coração, bandido, sou fruto de guerras e rebeliões, comecei menor já no 157, hoje meu vício é roubar, profissão perigo, especialista formado na faculdade criminosa, armamento pesado ataque, soviético e que esse é o bonde do MK porque quem manda aqui…” (Mc Daleste)
“…Não toca no meu cabelo, você não é escova, só manda papo errado, pensa que eu sou boba, tá se achando o brabo, crente que é o cara, mas meu sensor de mané, me deixa ligada e blá blá blá…” (Mc Anitta)

 

Vejam as mensagens que estão entrando nas cabeças dos nossos jovens através do que, muitos chamam de movimento cultural do funk. Não sou moralista, nem tampouco pretendo ser exemplo a ser seguido. Mas me digam: o que está ocorrendo com nossa juventude? Meses atrás, eu e minha irmã Simone acompanhamos o show do querido amigo Gil no “Água Doce”. Ouvimos canções de Vinícius… Áureos tempos. Na volta, conversamos sobre como é agradável ouvir músicas que lembram nossa história.

 

Mas digo-lhes que, infelizmente hoje, Vinícius, Tom, Caetano, Gil, são apenas personagens de um nostálgico passado memorável. A nova geração não se importa mais com isso é triste, mas não querem mais saber de qualidade, de coração, de alma.  A mídia atual, ao que parece, anda no mesmo compasso, pois no embalo da moda, reforça a ideia do absurdo, do ensinamento do supérfluo, do gosto questionável, Os “mcs” levam vantagem, pois são eles quem ditam a moda atual. Parece irônico, mas é absurdamente real. Há tempos não vejo na mídia, nomes da MPB como vejo funkeiros. Em programas de auditório, de entrevistas, o que mais vemos são “mcs”, que se tornaram unanimidade por uma questão puramente mercadológica.

 

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Mas, por qual motivo se supervaloriza um gosto que denigre a nossa sociedade e nos remete à um submundo em que, mulheres não passam de libertinas do sexo, policiais merecem morrer e ganhar dinheiro trabalhando é patético, quando o dinheiro fácil e a ostentação é a mais fácil saída? Sou totalmente contra matar pessoas, por mais vazios que possam ser, mas endeusar “mcs” que fazem apologia ao crime já é demais. Ponderemos ao entender que, nem sempre tudo é o que parece. Bom, esse é o país das celebridades homicidas e apologistas do crime que viram mártires da sociedade. Não se enganem, pois minha crítica também se direciona à roqueiros que se matam dando um péssimo exemplo de como lidar com a dádiva da vida.

 

Sou eclético e admiro o talento de músicos que representam os mais variados ritmos. Sou à favor da música e dos artistas que exercem suas mais diferenciadas culturas e profissões agregando algo de bom aos seus fãs, independente do gosto. Mas me preocupa o rumo que está tomando nossas crianças e jovens através do que lhes é proposto (ou subliminarmente imposto). Muito se perdeu, e hoje, pouco de bom se absorve. É preocupante, pois não se sabe o que sobrará aos nossos descendentes. Que cultura lhes será agregada com tanta arte vazia que está sendo empurrada nas mentes de nossos jovens?

 

Sidnei Eclache
sidneieclache@hotmail.com
(21) 8175-5448

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