A mudança começa por nós

Postado em 05 de julho de 2013

 

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O troco errado na padaria, na farmácia, no ônibus, a furadinha de fila que ajuda o amigo ou parente com pressa, o soninho que chega quando um idoso para na sua frente, aguardando o lugar preferencial, aquele DVD pirata comprado no camelô, aquele celularzinho à preço de banana sabidamente adquirido por fruto de roubo comprado com prazer, aquela nota de 20 reais que cai do bolso da pessoa à frente e não é devolvida, o famoso gato net pra ter sinal de TV e internet de graça ou na energia elétrica, a puxada de tapete do colega de trabalho, o papel de bala, a guimba de cigarro que se joga no chão, sofás, entulhos e lixos arremessados nos rios e córregos potencializando assim as enchentes, o trabalho em época de eleições com intuito de obter emprego e vantagens com o amigo candidato, o voto em troca de favores em geral, o voto sem pesquisa, a amnésia coletiva que insiste em muitos a cada quatro anos.

 

Claro que o ser humano não é perfeito. Não é de exclusividade dos brasileiros vários dos defeitos e falhas acima citados. Porém, o brasileiro têm uma margem bem acentuada de participação nos problemas do país, com isso, vários dos problemas que são alvo de reivindicações se tornam uma controversa guerra do que é ou não politicamente correto, que vai de encontro com as boas práticas de moral e bons costumes, misturando-se com falta de honestidade e esperteza.

 

O governo têm grande participação nos muitos problemas existentes em nosso país. Porém, a população por sua vez também têm, mesmo que não admitindo de forma unânime, somos também os vilões coadjuvantes desta nação.

 

Mesmo parecendo inofensivo, furar fila num banco, farmácia, também é uma forma de trapaça, é desonesto. Ficar com uma nota que caiu dos bolsos de alguém, já se trata de um crime, assim como fraldar a cia de luz fazendo ligação clandestina. Reclama-se do imundo rio Tietê e da baia de Guanabara, mas muitos nem se preocupam ao jogar lixo no chão, desprezando a palavra “lixo no lixo e os fazendo nos nossos rios e afluentes. A época das eleições então, é o festival do contraditório sobre o que é certo ou errado. As pessoas se vendem por pouco em troca de voto e/ou influência que o “talvez” futuro eleito possa lhe dar. Quem sabe um emprego no gabinete não é mesmo? A grande e triste realidade é que, muitos brasileiros, se pudessem, também mamariam nas tetas públicas da mesma forma ou pior dos que os que já mamam. Estou mentindo? Quantos não reclamam de forma contundente dos altos salários e absurdas regalias dos políticos por também desejarem tais benefícios?

 

É digno e muito justo protestarmos, porém, não podemos deixar de sermos corretos nas várias situações que a vida nos coloca. Agindo assim, nos tornamos legítimos e elegíveis à condição de cidadãos que podem e devem exigir um país melhor. Para pedirmos honestidade, a mesma deve existir dentro de nós. Fala-se tanto em punição dos atos, porém, o problema é a causa. E é na cultura e educação de um povo que tudo começa a mudar. Mudar à si mesmo, é uma forma de começar a mudar um país.

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Sidnei Eclache

sidneieclache@hotmail.com

(21) 8175-5448

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