A sobrevivência do Rock

Postado em 11 de outubro de 2014

 

Deitado na minha cama podia ver o Cristo ao longe, bem como ouvir as raquetadas num jogo de tênis na quadra do hotel Copacabana Palace logo abaixo da minha janela. Parecia um dia qualquer mas, de repente a guitarra de Keith Richards fez o clima mudar. O Rock´n Roll naquele instante, passava a dominar a terra do samba através daquele inesquecível show.

 

Questiono-me até quando as lendas da música viverão para nos permitir sentir um pouco mais o gostinho do verdadeiro espírito do Rock n Roll. Até quando Rolling Stones, Motorhead, Ozzy Osbourne, Iron Maiden, Kiss, Bon Jovi entre outros mais, nos permitirá ainda sentir que o estilo mais louco e amado de todos os tempos ainda vive?

 

Lembro bem da primeira vez que fui ao Rock in Rio. Apesar de sua total descaracterização comparando-se a sua fase primária, podia-se ver nos olhos das pessoas que ali estavam, o desejo de respirar o Rock de forma intensa, mesmo que, com todo respeito, tendo ao lado amantes de outros estilos que em nada lembrava o Rock. Mesmo que, por pura estratégia mercadológica, aquela mistura, fez com que os mais variados estilos se solidarizassem ali, assim como ocorreu no emblemático show dos Stones, no quintal da minha casa, para mais de 2 milhões de pessoas nas areias de Copacabana, mesclando curiosos e amantes do Rock.

 

Certa vez, um amigo me disse que esse estilo é pra loucos e drogados após eu dizer que, num show do Motorhead no Rio de Janeiro eu pedi pra dois amigos me arremessarem pra cima para que a galera fizesse meu corpo flutuar sobre as mãos. Apenas o lembrei que loucos e drogados existem em todas as partes, mas a grande vantagem é que a moda de Woodstock, ainda que na UTI, ela sobrevive, levando aos shows famílias inteiras, integrando crianças, jovens, adultos e idosos Um estilo que, apesar da sua proposta liberal, aventureira e alternativa, não deprecia a mulher, não prega a violência, nem cria preconceitos e exclusões sociais.

 

Me preocupa as novas modas que surgiram nos últimos tempos. A atual juventude, cada vez mais se afasta dos estilos que escreveram a nossa história. Nesse caso, nem me refiro somente ao Rock, mas também a MPB, o samba da raiz, os estilos românticos de antigamente, entre outros.

Temo que, num futuro talvez não muito distante, tudo se dissipe e que, gradativamente nossos netos e bisnetos nem ouçam mais falar que um dia existiu um tal Rock n Roll ou qualquer outro estilo que tenha escrito a nossa bela história musical e cultural. Mas enquanto isso, tudo ainda sobrevive, bem da sua forma, mesmo que nostalgicamente.

 

Como disse Cazuza; “Nós gostamos de Rock e somos loucos. Eles fazem besteiras e são normais. Que vivam os loucos de boa cabeça, e pela metamorfose da vida se tornem maluco beleza”

 

 

Foto retirada da Internet

 

 

 

Sidnei Eclache

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