Dívida histórica

Postado em 24 de setembro de 2013

 

 

Me emociona escutar uma canção que relata a escravidão. Não falo isso pelo fato de ter sangue negro nas veias. Refletindo ao pensar, retratei em palavras tudo o que sinto ao lembrar da crueldade, falta de compaixão e tampouco humanidade que existiu e ainda existe dentro dos corações de muitas pessoas.

 

 

A repulsa e o ódio daqueles que acham correto o preconceito e a perseguição que ainda persiste a uma raça e etnia que ajudou com suor e sangue o crescimento desse país., causa-me indignação e me faz chorar nas vezes em que leio ou escuto relatos de tamanha crueldade à um povo que teve sua liberdade contida em forma de correntes, troncos, humilhações, mostrando a cruel faceta da perversidade humana.

 

 

Contudo, mesmo assim, mantiveram suas mentes, seus espíritos e o corações em suas crenças, trazendo-lhes as lembranças da terra amada tão distante, mas ainda sim viva em suas rezas, crenças e danças, trazendo um pouco mais do que apenas um desejo, o sorriso que erradia através da certeza que mesmo tão longe, o dia do retorno de sua dignidade iria acontecer e graças à essa fé e convicção nos corações de tantos escravos, presos por grilhões, é que hoje somos o país mais rico em cultura africana é claro, depois da terra natal de todos os que sofreram e morreram para que o Brasil como o que vivemos hoje, pudesse existir, tendo pessoas da mesma nacionalidade, porém com traços tão diferentes nas suas cores, tradições e cultura.

 

 

Ainda sim, existem pessoas que, ao ver um mulato ou um negro, entorta o nariz e mantém o conceito de racismo vivo. Os mesmos que os rejeitam, mesmo que de forma velada, deviam se orgulhar, pois assim como eu e tantos outros, corre nas veias o sangue negro, pois quando feitores, capatazes, coronéis, obrigavam as muitas escravas a se deitar com eles, com isso, a continuidade da sua linhagem mesmo que, para eles, as crias seriam consideradas bastardas….os mestiços como eles se referiam aos filhos com as escravas.

 

 

Confesso que desejava bem mais melanina na minha pele, mas só o fato de ter o tom que me dá tanto orgulho em saber que tenho sangue negro correndo em cada milímetro do meu corpo, já me traz alegria. Porém, lamento que os meus ancestrais tenham sofrido tanto quando não era necessário. A ganância e a necessidade de poder, orgulho, misturados com a falta de caráter de muitos, causou tanta dor a esse povo que sofre até hoje mesmo depois de tantos anos em que a liberdade foi proclamada. A escravidão acabou, mas a discriminação infelizmente ainda não. A discriminação velada, ainda é uma das maiores vergonhas do nosso Brasil “quase” de todos.

 

 

Esse belo texto é de autoria da minha querida amiga Karinna Barros.

 

 

Correção e revisão: Sidnei Eclache

Sidnei Eclache

sidneieclache@hotmail.com

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