Foi um rio que passou em minha vida

Postado em 09 de maio de 2013

 

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.Me lembro do início dos anos 1980, ainda pequeno, dentro daquela Brasília branca, com meus irmãos, minha mãe e meu pai. Seguíamos em direção ao tão sonhado sítio da família em Salesópolis. Ali descobri como nasce um rio e, décadas após descobri como morre.

 

Na minha primeira viagem viagem à Europa em 2011, percorrendo o subúrbio de Paris, pude acompanhar alguns kms do lindo Rio Sena. Confesso-lhes que, senti uma ponta de inveja por tanta beleza e esmero, apesar de alguns criticarem dizendo que é um pouco poluído, mas percebi cuidado, preservação, a educação com que sua população o cuida. Não se trata apenas de uma fonte de renda de turismo, é muito mais do que isso, é questão cultural, é da raiz. Inimaginável vermos um rio que banha uma população milenar, ser bem preservado, antagonizando com o nosso Tietê que, tendo uma população que o cerca e com poucos séculos de vida, não consegue (ou não quer) que ele tenha o mesmo destino, pois o maltrata, o emporcalha e o despreza.

 

Algo me intrigava, pois não entrava em minha cabeça qual era o segredo da limpeza, da organização, do cuidado, não só com relação ao rio, mas em relação à cidade e tudo mais, apesar de Paris ser muito povoada.  Ao visitar o lar de meus familiares, amigos, de Paris à Marselha, pude perceber que, a atitude de preservar, cuidar, têm muito haver com a questão da cultura de um povo, de um país, da estrutura social e familiar, que ensina que lugar de lixo é no lixo, que pneus descartados, devem ser reciclados, que sofá que se não usa mais, devem ser doados, que latinhas, sacos plásticos, papel, podem ser reciclados, com isso gerando renda para muitas famílias. É questão de consciência, não só dos governantes, mas principalmente do povo.

 

Bom…, cerca de três décadas depois, após ter conhecido a nascente do Tietê em Salesópolis, vejo que muito piorou, pois no decorrer da sua trajetória, principalmente de Mogi das Cruzes em diante, os flagrantes de má educação, “porquiçe” e total falta de consciência, são gritantes e ainda continuam. O governo, mesmo que a passo de tartaruga tenta, mas é uma guerra de duas frentes, a do povo e a de quem os elege.

 

É como se um filme voltasse em minha cabeça, quando me pai me mostrou a nascente me dizendo que ali nascia o Rio de uma das maiores cidades do mundo. Mas é uma pena que governantes e população não conseguem, de forma eficaz, limpar e revitalizar o nosso rio, que é motivo de piada pra muita gente. É preciso uma ação conjunta.

 

Quero poder me orgulhar de dizer que sim, o Tietê é nosso, e banha uma das maiores metrópolis do planeta. Porém, seria muito importante que todo seu povo tivesse a atitude de cuidar, preservar. O simples fato de dar ao lixo o destino correto, já é um grande passo para que, em algumas décadas, ao menos nossos netos possam usufruir de um rio definitivamente limpo, assim como ele é em Salesópolis. Vamos preservar um pouco mais a nossa natureza.

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.Sidnei Eclache

sidneieclache@hotmail.com

(21) 8175-5448

 

 

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