Há quanto você não envia uma carta?

Postado em 25 de janeiro de 2016

 

Dia 17 de Dezembro de 2015 foi uma data interessante. Poderia ser o dia em que teríamos descoberto as soluções para o nosso imoral cenário político, ou talvez para a vergonhosa realidade da segurança e saúde que beiram o colapso social, em que menor bandido ganha apoio do Estado em relação a carnificina praticada contra os seus cidadãos e/ou talvez taparmos nossos olhos diante de um SUS falido, fazendo o papel de matador desse mesmo Estado. E viva o país Olímpico!!!!

 

Pois é, mas tal dia ficou marcado por conta de uma outra coisa , o tal “WhatsApp” fora do ar.

 

Enganou-se não é mesmo meu caro e querido amigo “Gil Fuentes”? Achou mesmo que eu falaria de política? Bom, ao menos dessa vez, não!!!

 

Havia uma época em que: trocar figurinhas, soltar pipas, brincar de boneca, jogar bolinhas de gude, falar ao telefone, escrever cartas, era sinônimo de normalidade de vida. Bem como: dançar house ou um techno nos bailes aguardando ansioso a hora das músicas “lentinhas” chegarem para tentar se aproximar daquela gata e/ou escrever um bilhetinho apaixonado naquela folha de papel, eram sinônimos de uma infalível paquera que, infelizmente não volta mais.

 

Fiquei surpreendido quando semanas atrás, crianças, jovens e adultos entraram em colapso, simplesmente porque o tal aplicativo WhatsApp ficaria um tempo fora do ar. Minhas filhas por exemplo, que agora, para falarem comigo do banheiro, precisam enviar mensagens de texto, surtaram e como numa atitude solidária e desesperada, repartiram dolorosamente com seus inúmeros “amigos” nas redes sociais, a sua perda e a dúvida por qual motivo aquela “tragédia” lhes assolara. Dane-se Mariana, atentados em Paris ou quaisquer “simples” infortúnios contemporâneos. Afinal!!! Como viveremos sem aquele aplicativo?

 

Acreditem, não precisamos de uma linha Kardecista para trocadilhar que sim, existe vida sem What´s up e redes sociais. Só é necessário entender qual é a essência de tudo.

Será que viemos a esse mundo para nos alienar atrás de um computador ou aparelho celular?

 

É inevitável a nostalgia que me invade, quando trato de temas que, para a nossa sociedade contemporânea, representa uma valia absurdamente irreal e nem tão vital. Eu diria; Uma importância sem importância. O meu questionamento é sobre, onde isso vai parar? Em que lugar chegaremos?

 

Casais se conhecem e se separam pelas redes sociais; Sonhos se iniciam e terminam com a chegada de um simples e-mail, bem como, não se escuta mais aquela voz em tempo real daquela pessoa que amamos, pois o “teclar” se transformou no fator que aproxima e separada as pessoas nesses tempos modernos.

 

A era virtual é importante e têm sim o seu valor. No entanto, não podemos perder a essência do que somos.

 

Meu grande receio, compartilhado por muitos, é que percamos a cada dia o hábito de apenas sermos simples pessoas, sem tanta influência da tecnologia.

 

Há quanto você não envia uma carta ou telefona pra alguém?

 

 

Sidnei Eclache da Silva
sidneieclache@hotmail.com

Imagem retirada da internet (Getty imagem)

 

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