Os verdadeiros heróis

Postado em 10 de setembro de 2016

 

“É Phelps”, “É Phelps”, “É Phelps”, aos berros que o levaram a rouquidão, Galvão Bueno anunciava mais uma medalha de ouro do atleta norte-americano Michel Phelps (o normal)!!! Ops, nem vou comentar sobre Neymar, que já foi intitulado como herói pelo mesmo.

Mas, mudemos de assunto…

Eis que desce pela imensa rampa no Maracanã um cadeirante, seguido por fogos, aplausos, ele salta nas alturas para anunciar o início dos Jogos Paraolímpicos Rio 2016. Um estádio lotado presencia momentos emocionantes de uma festa que mal começou, mas que já possui mais de vinte recordes mundiais quebrados dos que, de fato, são mesmo heróis.

 

ATENÇÃO: Interrompemos esse texto para um breve boletim dos Jogos Paraolímpicos Rio 2016:

-Seleção Brasileira feminina de basquete sobre rodas vence a Argentina pelo placar de 85 x 19, tendo a fantástica jogadora Vileide cestinha com 31 pontos.
-Temos a maior delegação da história com 285 atletas,
-Nosso corredor dos 400 metros Daniel Tavares, não só levou o ouro, mas também quebrou o recorde mundial,
-Brasil já levou em três dias, 13 medalhas, sendo quatro de ouro, sete de prata e duas de bronze

E etc, etc, etc.

 

Muitos não sabem, mas temos um grande medalhista na natação que se chama Daniel Dias, tendo em seu currículo 18 medalhas, sendo onze de ouro.

 

Quantos atletas como Vileide (a deficiente), Daniel (o deficiente) entre outros, não ficariam felizes em ter seus feitos narrados por Galvão Bueno (o normal) e Cia? Por qual motivo se narra com tanto êxtase os feitos de atletas que às vezes, nem Brasileiros são, os chamando de heróis, ou até mesmo o próprio Neymar (o normal), com sua arrogância que lhe é característica, têm o espaço privilegiado nas narrações televisivas? Ah tá, o blá blá blá do dinheiro, patrocínios, coisa e tal.

 

A Paraolimpíada não têm o Usain Bolt (o normal) medalhista com o tempo de 9,81, mas temos o nosso Petrucio Ferreira (o deficiente) que quebrou o recorde mundial com 10,67, cerca de 1 segundo apenas separam o “normal” badalado do “deficiente” pouco lembrado.

 

Mesmo o Brasil tendo quase ¼ de sua população que porta algum tipo de deficiência física (quase 46 milhões), ainda não se têm o carinho, respeito e investimento em atletas que nos honram DEMAIS com seus feitos realmente incríveis. Esses sim, são heróis e bem normais num país de inversão de valores e com muitas, muitas pessoas de fato, deficientes de amor, compreensão e de caráter(homenagem aos políticos).

 

Pessoas deficientes não precisam e não querem a pena de ninguém, precisam sim de investimento e vergonha na cara de muita gente que deve fazer por eles e não faz.

 

Quem é o deficiente nessa história?

 

Sidnei Eclache
sidneieclache@hotmail.com

 

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