Tempos duros para o Clitóris

Postado em 08 de maio de 2016

 

Seria óbvio para mim, homenagear todas as mães, inclusive a minha, nesse dia tão especial. Mas hoje, preferi dar o espaço para uma mulher também especial, intelectual e notável que é minha querida amiga, roteirista, escritora e dramaturga, Daisy Carvalho, a mãe da Marcela. É dela o texto que segue;

 

Essa não é uma crônica política, antifeminista ou feminina. Por acaso, é o momento em que acordo com pensamentos irracionais, ao menos assim me sinto, uma retrógrada por não entender o avanço do que Freud chamou de “inveja do pênis”. O clitóris é uma parte de nosso corpo que merece respeito e devoção (!), pois dele dependemos para ser felizes enquanto mulher.

 

Ainda existem as excisões, ou mutilação da mulher, em países africanos, na Ásia, Médio Oriente. Segundo a UNICEF e a OMS, calcula-se que três milhões de meninas são mutiladas por ano, presas a uma cultura grotesca e totalmente desumana.

 

O clitóris é a parte mais sensível para que nos sintamos mulheres e possamos desfrutar do prazer sexual junto a nossos parceiros. Entretanto, uma vez mutilada, a rapariga apenas oferece prazer, e, certamente, durante o ato sexual, sente profunda dor psicológica, ao relacionar a excisão com o sexo, o que torna sua vida, uma inutilidade total.

 

Homens medievais não respeitam a natureza, não têm compaixão e muito menos amor em seu ser. Trata-se de algo mais pavoroso do que simplesmente “cultura machista e sexista”. As mulheres mutiladas são presas desses predadores dos infernos; são vítimas do teratismo, em plena pós-modernidade, em meio a um milênio de globalização e tecnologias avançadas.

 

A mutilação feminina anula, não somente o corpo da mulher, como sua autoestima, e seu direito à felicidade. Diminui sua espiritualidade, e cancela, para sempre, o sorriso que toda mulher esboça, depois de ser amada.

 

O Brasil – agora sim me volto ao título da crônica – passa por um momento político, em que um grupo de “minoria”, que se autointitula Feminismo, que de teor feminino nada tem, é tão-somente uma parte de um esquema esquerdista que recruta grupos confusos, e os distrai, com um circo repleto de argutos comunistas.

 

Essas “feministas” querem abolir, não o clitóris, mas a beleza da mulher; querem abdicar do absorvente higiênico, e, ao masturbarem seus “grelos duros”, impõem essa aberração à sociedade, ao sexo masculino, e a todas as pessoas que ainda conservam algum valor de ética e moral.

 

Tal movimento anticristão, certamente, nada faz pelas milhões de moças mutiladas que citei acima. Elas, os soldados do Comunismo, não têm empatia com a dor alheia, não se importam, pois são discípulas de Simone de Beauvoir, que deixou seu maldito legado “Ninguém nasce mulher, torna-se mulher”.

 

Ah, Simone, quanta crueldade de sua parte. Eu a amaria de todo coração se você, ao invés de infeliz afirmação, pensasse nas mutiladas e escrevesse “Quem nasce mulher, merece ser mulher”.

 

E é por isso, que o mundo é um lugar estranho para se viver. Enquanto umas querem amar e sentir prazer mas não podem, outras confundem pênis com clitóris, e desprezam uma das maiores dádivas da natureza, que é a felicidade da mulher depois de um bom sexo.

 

 

* Daisy Carvalho

Waris Dirie é mulher, esposa, mãe, escritora e embaixadora da ONU na luta pela erradicação da prática da Mutilação Genital Feminina

Waris Dirie é mulher, esposa, mãe, escritora e embaixadora da ONU na luta pela erradicação da prática da Mutilação Genital Feminina

 

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