Um amor de cabaret

Postado em 17 de maio de 2013

 

 

O improvável estava diante de mim. Uma realidade que, para poucos poderia vir a acontecer. Nem para um louco apaixonado, um romance entre um simples, tímido e pacato garçom de boate com uma requisitada e envolvente prostituta de um famoso cabaré de Copacabana poderia se tornar real.

 

Histórias impossíveis, realidades antagônicas, o algo inalcansável que fomenta a dramaturgia, os contos e os livros, mostrando às pessoas as faces da conquista, um recado de como se deve amar e ganhar alguém, mesmo naõ praticado por todos, segue como regra para muitos.

 

A aventura de alcançar o impossível aos olhos, era, e ainda é a chama que fomenta as grandes histórias de amor. Não se trata de adaptação contextual de um romancista (pois isso não sou), nem tampouco a intenção de um colunista de abordar temas romãnticos, pois não é minha praia, pouco me comove, mas essa história que lhes contarei, também faz parte da minha vida, isso muda tudo.

 

Num pequeno e famoso cabaré de Copacabana, a bela e sensual Luma fazia sua história, deixando claro a qualquer homem que se aproximasse que, tudo ali era por dinheiro, apenas um negócio, sem vínculo afetivo.

 

Um paulista de Suzano, de barman para garçom, e meses após gerente,percebia os cruzamentos de olhares entre Carlos, o jovem marroquino àquela mulher. Era algo além de uma simples admiração, muito superior à isso, um amor genuíno, digno de cinema, mas era vida real, verdadeiramente alicerçado no mais puro sentimento de um homem por uma mulher. Jamais imaginaria, pois vários homens que entravam na casa, tinham como destino a bela meretriz. É difícil compreender, mas como um homem poderia conviver com uma mulher sendo assediada por tantos homens? O amor seria capaz de superar isso? Que me desculpe o lindo romance do filme “Moulin Rouge”, mas nessa, Paris perdeu para Copacabana.

 

Seria uma prostituta merecedora de algum tipo de sentimento de amor? A regra popular que a sociedade sempre me impôs e ainda impôe, me dizia que não, mas eu estava errado. Descobri mais tarde, no inesquecível reveillon de 2006 que a bela dama da noite e o simples e tímido rapaz do ocidente, eram marido e mulher há algum tempo, me surpreendendo no posto 5 da Princesinha do Mar. Os dois, vestidos de branco pareciam se divertir ao ver minha cara de espanto. Sim, descobri que prostitutas amam como qualquer outra mulher, merecendo assim também a felicidade.

 

Pessoalmente, não faço questão de viver histórias de amor, porém acredito que possa existir muitas que são dignas de cinema, o apaixonado casal da noite carioca me provou isso, tal qual sua linda história que, ao menos para mim seria impossível, mas não foi e verdadeiramente espero que não tenha fim.

 

 

 

 

Sidnei Eclache

sidneieclache@hotmail.com

(21) 8175-5448

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