{"id":22403,"date":"2015-11-15T09:01:35","date_gmt":"2015-11-15T11:01:35","guid":{"rendered":"https:\/\/gilfuentes.com.br\/novo\/?p=22403"},"modified":"2015-11-13T17:30:31","modified_gmt":"2015-11-13T19:30:31","slug":"felipe-brito-e-o-entrevistado-do-domingo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilfuentes.com.br\/novo\/felipe-brito-e-o-entrevistado-do-domingo","title":{"rendered":"Felipe Brito \u00e9 o entrevistado do domingo"},"content":{"rendered":"<p><i>\u00a0<\/i><\/p>\n<p><i>\u201cSomos negros e chamar de negro n\u00e3o ofende. N\u00e3o somos mulatos, escurinhos, marronzinhos e muito menos morenos. Ser afrodescendente n\u00e3o necessariamente quer dizer que se \u00e9 negro.\u201d<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/gilfuentes.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/d4_1-Felipe-Brito.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-22404\" alt=\"d4_1-Felipe-Brito\" src=\"https:\/\/gilfuentes.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/d4_1-Felipe-Brito.jpg\" width=\"703\" height=\"510\" srcset=\"https:\/\/gilfuentes.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/d4_1-Felipe-Brito.jpg 703w, https:\/\/gilfuentes.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/d4_1-Felipe-Brito-344x250.jpg 344w\" sizes=\"auto, (max-width: 703px) 100vw, 703px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Como a m\u00fasica entrou na sua vida? <\/b><\/p>\n<p><b>Felipe Brito \u2013<\/b>Fui criado em meio as rodas de samba nas festas da minha fam\u00edlia. Sempre regadas de Samba Rock, James Brown, Jorge Bem Jor, Tim Maia, Fundo de Quintal, Beth Carvalho e muitos outros. Sempre fui amante do samba. Meu pai tocava percuss\u00e3o, isso me aproximou deste estilo de m\u00fasica. Al\u00e9m disso, minha m\u00e3e, a Dona Ivone, sempre viveu a cantar. Muito afinada e diversificada musicalmente, aprendi a gostar de grandes cantores e cantoras da MPB e da m\u00fasica mundial com ela.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Quando descobriu que \u00e9 tenor? <\/b><\/p>\n<p><b>Felipe Brito \u2013<\/b> Conta minha m\u00e3e, que desde muito crian\u00e7a, por volta de 5 anos, eu j\u00e1 sintonizava as r\u00e1dios que tocavam m\u00fasica cl\u00e1ssica. Desde ent\u00e3o me fascinei pelo estilo de cantar que se tem nas \u00f3peras. Aos 14 anos comecei a cantar no Coral C\u00e1ritas em Mogi das Cruzes. Foi l\u00e1 que fui classificado vocalmente pela primeira vez como tenor pelo amigo e regente Orivaldo Sebasti\u00e3o Lopes. Cantei por cinco anos neste coro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Como chegou ao Novo Coral de Suzano? <\/b><\/p>\n<p><b>Felipe Brito \u2013<\/b> Devido \u00e0 rotina de trabalho e faculdade acabei me afastando da m\u00fasica e do canto coral, ficando quase dez anos sem cantar em nenhum coletivo cultural. Um grande amigo, o renomado bar\u00edtono Sebasti\u00e3o Teixeira, compartilhou um dos v\u00eddeos do Novo Coral de Suzano em que cantavam Let it Be, grande sucesso dos Beatles. Apaixonei-me pelo trabalho. Entrei na p\u00e1gina do coral no Facebook e vi que estavam abertas audi\u00e7\u00f5es para novos cantores. N\u00e3o tive d\u00favida. Fui, mesmo muito inseguro e passei. Posso dizer que o trabalho do Cleiton Xavier e de todo o Coral se tornou essencial e vital para mim. \u00c9 um reencontro com a vida em todos os sentidos e com a minha paix\u00e3o pela m\u00fasica e arte de cantar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Voc\u00ea atuou na Secretaria de Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade Racial. Fale um pouco disso. <\/b><\/p>\n<p><b>Felipe Brito \u2013<\/b> Coordenei a comunica\u00e7\u00e3o da Secretaria Municipal de Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade Racial da Prefeitura de S\u00e3o Paulo por quase dois anos. Aprendi muito profissionalmente. Pude lidar com os principais ve\u00edculos de imprensa do pa\u00eds exercendo a dif\u00edcil tarefa de colocar na pauta da gigantesca cidade S\u00e3o Paulo e, consequentemente do Brasil, as pol\u00edticas p\u00fablicas de enfrentamento ao racismo e a luta pelo combate \u00a0\u00e0s desigualdades. Convivi com lideran\u00e7as hist\u00f3ricas do movimento social negro que muito me ensinaram.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/gilfuentes.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/Felipe-Brito-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-22405\" alt=\"Felipe-Brito-1\" src=\"https:\/\/gilfuentes.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/Felipe-Brito-1.jpg\" width=\"703\" height=\"510\" srcset=\"https:\/\/gilfuentes.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/Felipe-Brito-1.jpg 703w, https:\/\/gilfuentes.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/Felipe-Brito-1-344x250.jpg 344w\" sizes=\"auto, (max-width: 703px) 100vw, 703px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>E o candombl\u00e9? Foi criado nesse meio? Qual a rela\u00e7\u00e3o do candombl\u00e9 com a ra\u00e7a negra? <\/b><\/p>\n<p><b>Felipe Brito \u2013<\/b> O candombl\u00e9 \u00e9 uma religi\u00e3o de matriz africana, portanto de origem negra. Nossas divindades s\u00e3o negras. Eu fui iniciado nas tradi\u00e7\u00f5es do candombl\u00e9 aos 11 anos de idade pela grande ialorix\u00e1 Juju de Oxum, a quem dedico amor e respeito. Amo meus orix\u00e1s, meus deuses. Quando visto o ideal de lutar pela liberdade religiosa, \u00e9 no sentido defender o direito de todos, at\u00e9 dos que em nada acreditam. No entanto vivemos em um pa\u00eds em que as pessoas ainda s\u00e3o diferenciadas pela cor e sofrem com a intoler\u00e2ncia por crer nestes deuses que s\u00e3o negros. Esta manifesta\u00e7\u00e3o de preconceito se chama racismo!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Temos algo a comemorar no Dia da Consci\u00eancia Negra, celebrado em 20 de novembro? <\/b><\/p>\n<p><b>Felipe Brito \u2013<\/b> Mais que comemorar devemos entender o 20 de novembro como uma data de conscientiza\u00e7\u00e3o. Na qual lembramos o m\u00e1rtir Zumbi dos Palmares e temos oportunidade como sociedade de repensar o nosso pa\u00eds como uma na\u00e7\u00e3o inclusiva. O racismo mata jovens negros nas periferias brasileira todos os dias. A maior parte da popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria no pa\u00eds \u00e9 negra. Em contrapartida n\u00e3o temos um n\u00famero significativo de mulheres e homens negros em posi\u00e7\u00f5es e espa\u00e7os de poder. Somos um Brasil de mais de 50% declarados negros. E quantos representantes negros temos nos minist\u00e9rios? E de parlamentares no Congresso Nacional? Tivemos Joaquim Barbosa. Mas ele foi um em quinhentos anos de hist\u00f3ria de um Brasil negro que ainda segrega. Houve avan\u00e7os significativos a exemplo das cotas raciais nas universidades, que levou milh\u00f5es de jovens negros aos bancos universit\u00e1rios. Mas ainda \u00e9 pouco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/gilfuentes.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/Felipe-Brito-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-22406\" alt=\"Felipe-Brito-2\" src=\"https:\/\/gilfuentes.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/Felipe-Brito-2.jpg\" width=\"478\" height=\"510\" srcset=\"https:\/\/gilfuentes.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/Felipe-Brito-2.jpg 478w, https:\/\/gilfuentes.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/Felipe-Brito-2-234x250.jpg 234w\" sizes=\"auto, (max-width: 478px) 100vw, 478px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Como voc\u00ea v\u00ea o racismo rolando solto nas redes sociais? <\/b><\/p>\n<p><b>Felipe Brito \u2013<\/b> Esses avan\u00e7os sociais ocorridos nos \u00faltimos 12 anos permitiram que a popula\u00e7\u00e3o negra come\u00e7asse a ocupar e transitar em igualdade em espa\u00e7os de visibilidade social, na qual eram segregados. As redes sociais escacaram o qu\u00e3o falso \u00e9 o mito da democracia racial. Casos como o da jornalista Maju e de Ta\u00eds Ara\u00fajo mostram a indigna\u00e7\u00e3o de segmentos reacion\u00e1rios ao avan\u00e7o de homens e mulheres negras economicamente e socialmente. \u00c9 uma s\u00edndrome nefasta de senhor de engenho. As pessoas se sentem blindadas pelas redes sociais. N\u00e3o diriam as mesmas ofensas pessoalmente, mas mostram sua tend\u00eancia criminosa no Facebook, Twitter e demais redes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Faltam a\u00e7\u00f5es sociais e melhores condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o somente para os negros, mas para os brasileiros de maneira geral. Porque os negros s\u00e3o os primeiros a serem afetados por isso? <\/b><\/p>\n<p><b>Felipe Brito \u2013<\/b> Falei das cotas raciais nas universidades, que nada mais \u00e9 que uma repara\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria e hist\u00f3rica para com a popula\u00e7\u00e3o negra. Temos a Lei 10.639\/03 que institui o ensino da hist\u00f3ria e cultura africana nas escolas, Estatuto da Igualdade Racial entre outros avan\u00e7os. O ideal de sociedade igualit\u00e1ria se perde em uma na\u00e7\u00e3o constru\u00edda pela opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o de uma ra\u00e7a. A maioria das pessoas n\u00e3o pensa no p\u00f3s liberta\u00e7\u00e3o dos negros escravizados. Toda essa popula\u00e7\u00e3o de africanos e descendentes foram jogados na margem da sociedade brasileira. N\u00e3o houve pol\u00edticas inclusivas. Trabalho, com\u00e9rcio, ind\u00fastria e toda gera\u00e7\u00e3o de renda se concentrou nas m\u00e3os dos imigrantes italianos, japoneses, alem\u00e3es e outros. Essa chaga da omiss\u00e3o do Estado causou esta exclus\u00e3o social e racial que vivemos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>O que acha do termo afrodescendente? <\/b><\/p>\n<p><b>Felipe Brito \u2013<\/b>Nada mais \u00e9 que a refer\u00eancia a ascend\u00eancia africana. Mas existe uma distor\u00e7\u00e3o por parte de alguns humoristas oportunistas e mal-intencionados. Nunca houve por parte do movimento negro qualquer reivindica\u00e7\u00e3o para que n\u00e3o fossemos chamados de negros, muito pelo contr\u00e1rio. Somos negros e chamar de negro n\u00e3o ofende. N\u00e3o somos mulatos, escurinhos, marronzinhos muito menos morenos. Ser afrodescendente n\u00e3o necessariamente quer dizer que se \u00e9 negro. A ascend\u00eancia africana, mesmo que distante, pode existir em pessoas brancas, desde que tenham ancestrais negros. O racismo vitimiza quem \u00e9 negro no fen\u00f3tipo, ou seja, na cor da pele.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b><span style=\"text-decoration: underline;\">JOGO R\u00c1PIDO <\/span><\/b><\/p>\n<p><strong>Um lugar<\/strong><\/p>\n<p>Terreiro do Ibece Alaketu em Governador Mangabeira &#8211; Bahia<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Um cheiro<\/strong><\/p>\n<p>Cheiro de terra molhada<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Uma cor<\/strong><\/p>\n<p>Todas as cores<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Um livro<\/strong><\/p>\n<p>O Pequeno Pr\u00edncipe, Antoine de Saint Exup\u00e9ry<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Um filme<\/strong><\/p>\n<p>A espera de um Milagre<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Uma m\u00fasica<\/strong><\/p>\n<p>HowCan I Go On com Freddy Mercury e Montserrat Caball\u00e9<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Um momento<\/strong><\/p>\n<p>Todos momentos em que me reencontro comigo mesmo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Um homem<\/strong><\/p>\n<p>Manoel Cerqueira de Amorin &#8211; Pai Nezinho de Ogun<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Uma mulher<\/strong><\/p>\n<p>Ivone Dreger &#8211; minha m\u00e3e!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Deus<\/strong><\/p>\n<p>Em tudo que se tenha f\u00e9!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 \u201cSomos negros e chamar de negro n\u00e3o ofende. 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