{"id":22659,"date":"2015-11-29T09:01:05","date_gmt":"2015-11-29T11:01:05","guid":{"rendered":"https:\/\/gilfuentes.com.br\/novo\/?p=22659"},"modified":"2015-11-28T13:32:20","modified_gmt":"2015-11-28T15:32:20","slug":"romulo-cabrera-ficou-146-dias-sem-ela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gilfuentes.com.br\/novo\/romulo-cabrera-ficou-146-dias-sem-ela","title":{"rendered":"R\u00f4mulo Cabrera ficou 146 dias sem ela"},"content":{"rendered":"<p><em>&#8220;A experi\u00eancia me ajudou a compreender melhor as coisas. Nossas discuss\u00f5es acerca do cen\u00e1rio moderno n\u00e3o saem do plano das ideias. O que conclu\u00ed \u00e9 que sim, as pessoas est\u00e3o preocupadas com muitas coisas; a cidade \u00e9 fria e cinza.\u201d<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/gilfuentes.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/146-dias-sem-ela.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-22660\" alt=\"146-dias-sem-ela\" src=\"https:\/\/gilfuentes.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/146-dias-sem-ela.jpg\" width=\"703\" height=\"510\" srcset=\"https:\/\/gilfuentes.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/146-dias-sem-ela.jpg 703w, https:\/\/gilfuentes.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/146-dias-sem-ela-344x250.jpg 344w\" sizes=\"auto, (max-width: 703px) 100vw, 703px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Este \u00e9 seu \u00faltimo ano de jornalismo. Qual \u00e1rea pretende seguir?<\/b><\/p>\n<p><b>R\u00f4mulo Cabrera \u2013 <\/b>Faltam algumas semanas, para ser mais preciso. Eu ainda n\u00e3o pensei nisso, mas diria que gostaria de continuar meus estudos e, quem sabe, prosseguir nesse campo de pesquisa da imers\u00e3o; do jornalismo imersivo. \u00c9 uma modalidade no campo da comunica\u00e7\u00e3o social que muito me interessa, ent\u00e3o n\u00e3o vejo o porqu\u00ea de n\u00e3o explor\u00e1-la mais e mais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Voc\u00ea se considerava um dependente da internet?<\/b><\/p>\n<p><b>R\u00f4mulo \u2013<\/b> Sim, assim como a maioria das pessoas hoje. N\u00e3o chegava a ser um v\u00edcio (o que ficou provado nesta experi\u00eancia que fiz), mas eu era um dependente, sem sombra de d\u00favida. Necessitamos dela, isso \u00e9 um fato. Minha gera\u00e7\u00e3o, ali\u00e1s, nasceu mergulhada nessa realidade que est\u00e1 intrinsecamente ligada ao virtual. Diferente, por exemplo, das gera\u00e7\u00f5es que nasceram antes dos anos 1990 onde a internet, tal qual a conhecemos hoje, nem existia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Como surgiu a ideia de fazer o seu TCC usando a experi\u00eancia de ficar desconectado da internet por 146 dias?<\/b><\/p>\n<p><b>R\u00f4mulo \u2013 <\/b>Surgiu de uma vontade pessoal (e existencial, em certo sentido). Mas, basicamente, foi uma tentativa minha de reproduzir uma modalidade no jornalismo que muito me interessa: o jornalismo de imers\u00e3o. Li \u201cUm Ano B\u00edblico\u201d, um livro-reportagem de um jornalista americano chamado Jacobs: nele, o americano tenta seguir literalmente o preceitos do Velho e Novo Testamentos. Queria fazer algo parecido, todavia, com algo pr\u00f3ximo a mim, como a internet, pois passava quase 12 horas conectado. Meu objeto de estudo estava diante de mim. Meu objetivo era escrever um livro-reportagem sobre a minha experi\u00eancia desconectado da internet e de outras tecnologias ligadas em rede (celulares, cart\u00f5es magn\u00e9ticos, Bilhete \u00danico, caixas eletr\u00f4nicos e at\u00e9 videogames). N\u00e3o faria um estudo t\u00e9cnico sobre as redes, mas um relato humano sobre essa tentativa insana de viver um longo per\u00edodo desconectado. A m\u00e1xima \u201ca internet aproxima, mas tamb\u00e9m nos afasta\u201d \u00e9 verdadeira. Tento compreender e responder todas essas perguntas por meio de minha imers\u00e3o; minha experi\u00eancia na praxis. No dia 1 de junho me desconectei e passei um total de 146 dias longe das redes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Como foi sua adapta\u00e7\u00e3o? Mandava cartas?<\/b><\/p>\n<p><b>R\u00f4mulo \u2013<\/b> As primeiras semanas foram dif\u00edceis, mas o foco no trabalho me manteve firme em meu objetivo: a experi\u00eancia, o livro. Doei meu celular a um amigo e passei a usar orelh\u00f5es; enviei algumas cartas (uma delas, ali\u00e1s, endere\u00e7ada ao amigo e fil\u00f3sofo Marco Maida que escreveu o pref\u00e1cio de meu livro).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>As pessoas respondiam ou te zoavam?<\/b><\/p>\n<p><b>R\u00f4mulo \u2013<\/b> \u00c9 bom deixar claro que n\u00e3o enviei dezenas de cartas. Foram cinco ou oito durante o meu \u2018celibato virtual\u2019.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Usava orelh\u00f5es para se comunicar? Funcionou?<\/b><\/p>\n<p><b>R\u00f4mulo \u2013<\/b> Eu tinha o telefone fixo de casa e os orelh\u00f5es (quando os encontrava funcionando, claro) nas ruas. Sobre ser alvo de brincadeiras de meus amigos: sim, fui um alvo f\u00e1cil. Mas o legal \u00e9 que eu mesmo tirava sarro de minha situa\u00e7\u00e3o (algo que reproduzi no livro em v\u00e1rios momentos).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/gilfuentes.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/R\u00f4mulo-Cabrera-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-22662\" alt=\"R\u00f4mulo-Cabrera-1\" src=\"https:\/\/gilfuentes.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/R\u00f4mulo-Cabrera-1.jpg\" width=\"703\" height=\"510\" srcset=\"https:\/\/gilfuentes.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/R\u00f4mulo-Cabrera-1.jpg 703w, https:\/\/gilfuentes.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/R\u00f4mulo-Cabrera-1-344x250.jpg 344w\" sizes=\"auto, (max-width: 703px) 100vw, 703px\" \/><\/a><\/p>\n<p><b>E como fez neste per\u00edodo para se atualizar?<\/b><\/p>\n<p><b>R\u00f4mulo \u2013 <\/b>Gosto de dizer que passei por tr\u00eas efeitos colaterais: nunca me sentia plenamente desconectado (gosto de dizer que vivendo pr\u00f3ximo \u00e0 metr\u00f3pole, uma desconex\u00e3o tal qual eu planejei se tornou uma tarefa herc\u00falea); me sentia mal informado. Voltei a comprar jornais e, principalmente, a assistir aos notici\u00e1rios como em maratonas de s\u00e9ries americanas; e, finalmente, depois de algum tempo passei a me sentir longe dos outros (o que me levou a fazer o experimento social na Avenida Paulista &#8211; levei uma plaquinha com os dizeres: \u201cESTOU SEM INTERNET E CELULAR, PRECISO CONVERSAR. QUER \u2018TC\u2019 COMIGO?\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>No trabalho como fez?<\/b><\/p>\n<p><b>R\u00f4mulo \u2013<\/b> Eu estou desempregado e creio que minha experi\u00eancia n\u00e3o se encaixaria nos padr\u00f5es convencionais de trabalho. Preferi fazer \u201cfreelas\u201d que n\u00e3o exigissem conex\u00e3o com internet. Passei a dar aulas particulares de edi\u00e7\u00e3o de v\u00eddeo e imagens para um amigo em S\u00e3o Paulo. O dinheiro era pouco, mas o suficiente para pagar as poucas contas que eu tinha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Como foi a a\u00e7\u00e3o na Paulista?<\/b><\/p>\n<p><b>R\u00f4mulo \u2013<\/b> A experi\u00eancia na Paulista foi riqu\u00edssima. Rendeu um \u00f3timo e divertido cap\u00edtulo no meu livro. Passei duas horas pr\u00f3ximo \u00e0 Rua Augusta. Doze pessoas pararam para conversar comigo. Parece pouco, mas para uma interven\u00e7\u00e3o na Paulista, em hor\u00e1rio de pico, doze pessoas \u00e9 muita gente. (rs)\u00a0 A experi\u00eancia me ajudou a compreender melhor as coisas. Nossas discuss\u00f5es acerca do cen\u00e1rio moderno n\u00e3o saem do plano das ideias. O que conclu\u00ed \u00e9 que sim, as pessoas est\u00e3o preocupadas com muitas coisas; a cidade \u00e9 fria e cinza. Muitos preferem o conforto de uma segunda tela a ter de conversar com um estranho na rua. Mas nem todos s\u00e3o assim. As pessoas querem conversar, querem um tempo s\u00f3 delas (ou dividi-la com outras pessoas), mas precisam de um incentivo, um motivo (talvez); ali na Paulista eu era esse est\u00edmulo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/gilfuentes.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/R\u00f4mulo-Cabrera-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-22663\" alt=\"R\u00f4mulo-Cabrera-2\" src=\"https:\/\/gilfuentes.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/R\u00f4mulo-Cabrera-2.jpg\" width=\"703\" height=\"510\" srcset=\"https:\/\/gilfuentes.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/R\u00f4mulo-Cabrera-2.jpg 703w, https:\/\/gilfuentes.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/R\u00f4mulo-Cabrera-2-344x250.jpg 344w\" sizes=\"auto, (max-width: 703px) 100vw, 703px\" \/><\/a><\/p>\n<p><b>Voltou com a mesma intensidade anterior depois deste per\u00edodo de \u201cdetox\u201d?<\/b><\/p>\n<p><b>R\u00f4mulo \u2013 <\/b>Voltei com a mesma intensidade de antes (nada extremo acho). Mas hoje me permito, sem vergonha alguma, passar mais horas conectado, fu\u00e7ando, ou passando um tempo s\u00f3 rolando o feed de not\u00edcias das redes sociais. Essa \u00e9 a nossa realidade, queiram ou n\u00e3o. N\u00e3o conseguimos fugir disso; da onipresen\u00e7a da malha virtual. Nossa sociedade se configura nela; sob suas regras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>O que pretende com o livro \u201c146 dias sem ela\u201d?<\/b><\/p>\n<p><b>R\u00f4mulo \u2013 <\/b>Pretendo defend\u00ea-lo em minha banca, apenas. Depois disso, talvez levar a alguma editora. Quem sabe queiram public\u00e1-lo? (rs) As possibilidades est\u00e3o a\u00ed, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b><span style=\"text-decoration: underline;\">JOGO R\u00c1PIDO<\/span><\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Um lugar<\/b><\/p>\n<p>Meu quarto<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Um cheiro<\/b><\/p>\n<p>De livros<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Uma cor<\/b><\/p>\n<p>Vermelho<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Um filme<\/b><\/p>\n<p>Rocky, Um Lutador<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Uma m\u00fasica<\/b><\/p>\n<p>Cohab City<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Um momento<\/b><\/p>\n<p>Dif\u00edcil essa, hein?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Um homem<\/b><\/p>\n<p>Pai Mei<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Uma mulher<\/b><\/p>\n<p>Ellen Roche<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Deus<\/b><\/p>\n<p>Uma met\u00e1fora<\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;A experi\u00eancia me ajudou a compreender melhor as coisas. 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