Alice Caymmi revisita obra do avô com o lançamento do single “Modinha para Gabriela” nesta sexta

Postado em 13 de março de 2026

 

Quando ela veio para esse mundo, a música de Dorival Caymmi já fazia parte do imaginário brasileiro, mas ainda não havia encontrado uma voz disposta a reinventá-la e adaptar sua linguagem para as novas gerações. Alice Caymmi, a neta do cantor e compositor baiano, assumiu essa tarefa com coragem e ousadia. Nesta sexta-feira (13 de março), ela lança o single “Modinha para Gabriela”, releitura do tema de abertura da novela Gabriela (1975), marco da teledramaturgia brasileira. A faixa é um abre-alas do álbum “Caymmi”, inteiramente dedicado ao repertório do avô, previsto para o início de abril.

 

Longe de uma abordagem reverente ou nostálgica, Alice propõe uma leitura contemporânea da canção, incorporando balanço reggae, elementos de música eletrônica e um arranjo que dialoga com a ideia de ancestralidade, em permanente transformação. O resultado preserva o espírito da composição original, mas em sintonia com novas escutas e linguagens sonoras.

 

“Essa conexão é fundamental. A obra do meu avô é eterna, mas não estava sendo eternizada. Os puristas acham que as músicas de Caymmi são intocáveis. Não é verdade. Eu trouxe um olhar jovem, atual, que dialoga com o público jovem. O meu avô sempre foi conectado com o que acontecia ao redor dele”, afirma Alice.

 

Carro-chefe do novo álbum, “Modinha para Gabriela” tem produção de Iuri Rio Branco, do selo Daluz Música. A parceria reforça o caráter experimental e contemporâneo da faixa, ao mesmo tempo em que ancora o projeto em uma escuta atenta às raízes da música brasileira. O álbum revisita clássicos do cancioneiro de Dorival Caymmi sob o olhar antenado de Alice, incluindo releituras de “Maracangalha” e “Dois de Fevereiro”. Mais do que um tributo, o trabalho se apresenta como um gesto de continuidade: um encontro entre herança, reinvenção e permanência cultural.

De fato, o canto de Alice reaparece agora embalado por um arranjo que entende ancestralidade não como relicário, mas como pulsação. “Modinha para Gabriela” preserva o clima de sedução e languidez que marcaram a versão original, mas a insere em outro campo rítmico e simbólico. O balanço reggae imprime corpo e movimento; os elementos eletrônicos ampliam o espaço sonoro; e o arranjo sugere uma ponte entre passado e presente, tradição e invenção. Nada ali soa gratuito. Há um entendimento claro de que Caymmi sempre foi, à sua maneira, um artista atento ao mundo ao redor — moderno sem abrir mão das raízes.

 

“‘Gabriela” remete à minha visão de mundo. Sou mutante e não abro mão disso. Não é á toa que escolhi essa música como single. A personagem que Jorge Amado construiu e que meu avô cantou tem uma sensualidade natural, uma ligação com a natureza selvagem. Sempre fui uma mulher in natura, sempre coloquei meu corpo no mundo e no espaço. Faço questão da liberdade. Gabriela é parte da natureza – e não algo que você pode ter ou controlar. Ela não pode ser contida nem guardada”, define a cantora.

 

O produtor Iuri Rio Branco explica a opção pelo ritmo jamaicano. “Em Modinha para Gabriela, eu pensei um pouco e cheguei à conclusão de que tinha que ser um reggae. Tem tudo a ver. É Brasil, é popular, é fresh e impactante. O reggae tem esse poder, essa tradição de trazer frescor aos temas já existentes – e não foi diferente com esta canção”, define.

 

 

Sobre Alice Caymmi

Por trás do sobrenome que ecoa como um pilar da música brasileira, Alice Caymmi construiu uma trajetória marcada menos pela reverência ao passado e mais pelo desejo constante de ruptura. Nascida no Rio de Janeiro, em 1990, neta de Dorival Caymmi, filha de Danilo Caymmi e Simone Caymmi, sobrinha de Nana e Dori, ela poderia ter seguido o caminho previsível da intérprete elegante da MPB tradicional. Preferiu outro rumo: o da inquietação estética, da performance intensa e do risco artístico.

 

Desde a estreia, Alice deixou claro que não pretendia ocupar o lugar confortável de herdeira musical. Seu primeiro álbum, Alice Caymmi (2012), revelou uma cantora de voz potente e interpretação segura, reconhecida pela crítica como um nome promissor. Ali, ela já se destacava pela força vocal e a escolha de repertórios e arranjos que fugiam do óbvio.

 

A sua primeira performance em palco foi aos 12 anos, em show de Nana Caymmi no Canecão (RJ). Na mesma época, cantou no trio elétrico de Margareth Menezes, na Bahia. Em seguida, começou a participar de shows ao lado do pai. Em 2007, cantou no encerramento dos Jogos Panamericanos, no Rio. No ano seguinte, esteve no programa “Som Brasil – especial Dorival Caymmi”, interpretando as canções “Nem eu” e “Sábado em Copacabana”, do avô. Teve sua composição “Diamante rubi” incluída no CD “Sem poupar coração”, de Nana Caymmi.

 

Em 2012, fez temporada de dois meses no espaço Semente, na Lapa. Nesse mesmo ano, apresentou-se no Espaço Cultural Sérgio Porto e no Teatro Café Pequeno (RJ). Nesse mesmo ano, lançou seu primeiro disco, “Alice Caymmi”, com suas canções “Arco da Aliança” e “Sangue, água e sal”, ambas em parceria com Paulo César Pinheiro, “Revés”, “Mater Continua”, “Água marinha”, “Rompante”, “Vento forte” e “Tudo que for leve”, além de “Sargaço mar” (Dorival Caymmi) e “Unravel” (Björk e Guy Sigsworth).

 

Em 2013, foi indicada ao Prêmio da Música Brasileira, na categoria Revelação, pelo CD “Alice Caymmi”. Nesse mesmo ano, apresentou-se no espaço Audio Rebel (RJ), dividindo o palco com Rodrigo Campos. Abrindo o show de Mart’nália, apresentou-se, no início de 2014, no Circo Voador, com uma prévia do show “Dorivália.

No fim de 2014, Alice lançou o disco “Rainha dos Raios”, que a projetou nacionalmente. Faixas como “Homem“, “Como Vês” e “Meu Mundo Caiu” ajudaram a construir sua imagem artística: intensa, dramática e vocalmente poderosa. O álbum marca o momento em que Alice assume uma persona mais urbana, dramática e performática, com forte influência do pop alternativo, do rock e de uma MPB mais sombria. A imagem da “rainha” ligada a Iansã é central — força, instabilidade, desejo e fúria.

 

Em 2018 lançou o álbum “Alice”. O registro contou com participações e parcerias inéditas com Ana Carolina, Pablo Vittar e Rincon Sapiência. O trabalho deu origem à turnê #EuTeAviseiTour, que passou pelo Rio e São Paulo. O material foi composto por nove faixas, sendo oito inéditas.

 

Em 2019 lançou o CD “Electra”, em que ela canta todas as faixas acompanhada apenas de um piano. No repertório, canções como “De Qualquer Maneira” (Candeia), “Diplomacia” (Maysa), “Areia Fina” (Lucas Vasconcellos), “Mãe Solteira” (Elton Medeiros/ Tom Zé), “Medo” (Reinaldo Ferreira), “Fracassos” (Fagner), “Pelo Amor de Deus” (Tim Maia), “Pedra Falsa” (Paulo César Pinheiro Mauro Duarte), “Me Deixa Mudo” (Walter Franco) e “Aperta Outro” (Danilo Caymmi / Ana Terra). O show de lançamento ocorreu na Sala Adoniran Barbosa, no Centro Cultural São Paulo, com direção de Paulo Borges e figurino de Alexandre Herchcovitch.

 

Em janeiro de 2020, Alice lançou o primeiro single do álbum, “A Noite Inteira”, uma parceria com Àttoxxá, escrita por ela, Rafa Dias e Wallace “Chibatinha” Carvalho dos Santos. No mesmo ano, a cantora lançou a música “Elétrika”, em parceria com as Baianas Ozadas, que fez parte de uma campanha educativa para alertar a população sobre os cuidados a serem tomados para evitar choques elétricos durante o carnaval em Belo Horizonte. Em outubro de 2021, lançou seu quinto álbum, Imaculada, com repertório quase totalmente autoral.

 

Ficha Técnica / Modinha para Gabriela:

Produzido e arranjado por Iuri Rio Branco

Voz: Alice Caymmi

Bateria, Baixo, guitarra, programação e percussão: Iuri Rio Branco

Guitarra adicional: Theo Silva

Trombone e trompete: Doug Bone

Mixagem, masterização e edição de voz: Diogo Guedes

Engenheiros de gravação: Filipe Florido e Diogo Guedes

Gravado em 2025 nos estúdios DaLuz SP

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