Adeus a Benito di Paula, mestre do samba-joia

Postado em 19 de outubro de 2026

 

A música brasileira perdeu neste domingo (18) um de seus acordes mais singulares e afetuosos. Aos 84 anos, calou-se o piano de Benito di Paula — nome artístico do fluminense Uday Vellozo —, que faleceu no Hospital 9 de Julho, em São Paulo, após lutar bravamente contra um câncer ao longo do último ano.

 

Nascido em Nova Friburgo, Benito realizou uma façanha rara no cenário cultural: levou o piano para o centro da roda de samba com tamanha delicadeza e apelo popular que inaugurou um estilo próprio, consagrado como “samba-joia”. Nas décadas de 1970 e 1980, sua voz rouca e inconfundível se tornou trilha sonora obrigatória nas casas de milhões de brasileiros, atravessando classes sociais e quebrando preconceitos estéticos da época.

 

Seu cancioneiro é um patrimônio vivo da MPB. Quem nunca se pegou cantarolando os versos doloridos e poéticos de “Retalhos de Cetim”, o balanço irresistível de “Charlie Brown” ou a entrega romântica de “Se Não For Amor”? Canções que agora ganham um eco nostálgico e definitivo em outro de seus grandes sucessos: “Vai Ficar na Saudade”.

 

Com mais de cinco décadas dedicadas à arte, Benito di Paula deixa um legado de elegância melódica e conexão direta com a alma do povo brasileiro. O samba veste luto, mas suas composições permanecem eternas nos toca-discos, na memória afetiva do país e na história da nossa canção.

 

 

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19/10/2026 07:52:30