Emagrecimento rápido com “canetas” pode gerar epidemia de sarcopenia, especialistas alertam

Postado em 19 de fevereiro de 2026

 

Os métodos que promovem o emagrecimento rápido caíram no gosto popular e estão sendo adotados em todo o mundo. Embora as chamadas “canetas” emagrecedoras apresentem diversos benefícios, especialistas fazem ressalvas quanto ao uso indiscriminado e sem acompanhamento médico. Entre as possíveis consequências está a sarcopenia, caracterizada pela perda progressiva e generalizada de massa, força e função muscular.

 

Crédito: Freepik

 

As “canetas” emagrecedoras são medicamentos desenvolvidos inicialmente para o tratamento do diabetes tipo 2. Elas atuam sobre hormônios intestinais relacionados à sensação de saciedade e ao controle glicêmico e, por isso, tornaram-se eficazes também no tratamento da obesidade.

 

O médico ortopedista e especialista em Joelho do Imot de Mogi das Cruzes, Marcos Nali, explica que o controle do peso é fundamental para a saúde de modo geral, principalmente devido à sobrecarga nas articulações. A diminuição do peso corporal é um dos pilares no tratamento da artrose do joelho. No entanto, quando a perda ocorre de forma rápida, não é apenas a gordura que diminui, há também redução significativa da massa muscular, conhecida como massa magra.

 

Marcos Nali

 

Esse impacto pode levar à sarcopenia, condição associada à perda progressiva de músculo e à fragilidade física, aumentando o risco de quedas e fraturas, como alerta o médico:

 

“É preciso atenção durante o processo de emagrecimento para evitar o enfraquecimento do corpo. Os músculos sustentam o corpo e equilibram as articulações, um indivíduo magro, mas sem massa muscular adequada, pode desenvolver sarcopenia e comprometer o funcionamento geral do corpo”, explica Nali.

 

Além do uso dos medicamentos, é essencial o acompanhamento multiprofissional, que inclui orientação nutricional, com reforço na ingestão de proteínas, e prática de atividade física, como a musculação.

 

 

Crédito: Freepik

 

O endocrinologista do Imot, Frederico Godoi Cintra, reforça as orientações e destaca que o número na balança nem sempre reflete saúde:

 

“O medicamento sozinho não faz milagre. É necessário estratégia e acompanhamento adequado. Vale destacar que a perda de massa muscular também afeta o metabolismo. Atualmente, recomenda-se a prática concomitante de exercícios voltados à hipertrofia. É muito melhor um paciente que mantém seu volume muscular do que aquele que perde muito peso na balança, mas também apresenta queda significativa de massa magra”, afirma.

 

 

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