“Projeto Clarice” ganha nova temporada no Teatro Paulo Eiró

Postado em 12 de outubro de 2026

 

A montagem de Projeto Clarice, com adaptação e direção de Cesar Ribeiro, reúne em cena quatro atrizes com mais de 60 anos — Clara Carvalho, Magali Biff, Mariana Muniz e Vera Zimmermann — para encenar cinco contos de Clarice Lispector: Via Crucis, Menino a Bico de Pena, A Legião Estrangeira, Amor e O Ovo e a Galinha. A peça cumpre temporada de 15 de outubro a 8 de novembro de 2026, com sessões de quinta a sábado, às 20h, e aos domingos, às 19h, no Teatro Paulo Eiró, em Santo Amaro, São Paulo. Por conta do segundo turno das eleições, não haverá apresentação no dia 25 de outubro, mas uma sessão extra está confirmada para a quarta-feira, dia 4 de novembro, às 20h. Os ingressos custam R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia-entrada), para um espetáculo com duração de 120 minutos e classificação indicativa de 12 anos.

 

Ao longo da temporada, a produção promove um ciclo paralelo de três mesas de debate com entrada gratuita na SP Escola de Teatro, localizada na Praça Roosevelt. Sempre às quintas-feiras, das 20h às 22h, o encontro tem como tema “A Perspectiva do Feminino na Sociedade Brasileira Atual” e conta com mediação da jornalista e performer Maria Fernanda Vomero. O ciclo aborda diferentes vivências do feminino: no dia 22 de outubro, a convidada é a atriz e cantora Verônica Valentino, abordando a mulher trans; no dia 29 de outubro, a atriz e diretora Aysha Nascimento debate a mulher negra; e, no dia 5 de novembro, a liderança e cacica Araju Ara Poty encerra as conversas discutindo a mulher indígena.

 

Os cinco textos escolhidos investigam a construção da identidade feminina e a relação com o outro a partir de situações corriqueiras. Em cena, Via Crucis surge como uma parábola sobre o nascimento de Cristo, Menino a Bico de Pena foca na alteridade entre mãe e filho, A Legião Estrangeira aborda a formação da identidade na relação entre uma mulher e uma menina, Amor destaca o núcleo familiar e O Ovo e a Galinha funciona como a metafísica de todas essas dinâmicas. O diretor destaca que o processo de criação partiu de uma adaptação pensada para o corpo e as experiências de cada intérprete, traduzindo para o gesto físico o monólogo interior e as epifanias da autora. Sobre a montagem, o crítico Dirceu Alves ressalta que o mérito da direção é desconstruir expectativas sobre a obra de Clarice e revelar as atrizes à vontade em uma linguagem arrojada.

 

A encenação dá continuidade à pesquisa de Cesar Ribeiro sobre distopias e sistemas de violência na realidade brasileira, combinando realismo, simbolismo e extrarrealismo. Apesar do protagonismo feminino, o elenco conta com figuras masculinas sem rosto, representadas por atores vestindo smoking e máscaras de peixe, numa referência direta ao livro A Mulher que Matou os Peixes. A cenografia de J. C. Serroni cria um espaço atemporal e simbólico, enquanto a trilha sonora traduz o ritmo acelerado da vida contemporânea ao misturar músicas de videojogos, budots filipino, punk, canções de Mercedes Sosa e efeitos sonoros variados.

 

Com realização da Garagem 21, Brancalyone Produções, Governo do Estado de São Paulo, Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, Governo Federal, Ministério da Cultura e Lei Aldir Blanc, a produção conta com cenografia de J. C. Serroni, figurinos de Telumi Hellen, iluminação de Rodrigo Palmieri, visagismo de Louise Helène, contrarregragem de Pedro Conrado e direção de produção de Marisa Medeiros.

 

 

 

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